BORDADO E MEMÓRIA
Entre Linhas, Afetos e História no Cabana
Em meio a linhas e bordados, histórias sobre o Cabana foram recontadas e escutadas em grupo. O tempo de bordar as fotos acompanha o tempo de olhar com cuidado, para fora e para dentro, permitindo a demora e proporcionando experiências de compartilhar lembranças e perceber como elas nos atravessam.
O projeto SoFiA, em uma parceria sensível com o Grupo Fios da UFMG, promoveu em março de 2026 uma oficina de bordado e memória que transformou o fazer manual em um ato de resistência e preservação histórica.
Mais do que aprender uma técnica artesanal, o encontro propôs um mergulho na identidade de cada um. A matéria-prima não foi aleatória: os bordados ganharam vida sobre fotografias trazidas e escolhidas pelos próprios participantes, fragmentos de vida que guardam o valor afetivo de quem habita e constrói o território.
Memórias Bordadas
As Memórias Bordadas na Oficina
Dona Ivanete
Quando eu vim aqui para Belo Horizonte, eu morava no bairro da Serra, aí eu resolvi, um dia meu filho estava internado, aí eu resolvi vir, mudar de casa. Eu morava na Ferra, e falei que eu ia pegar o primeiro ônibus e parar nesse lugar, e aqui eu ia ficar. Aí sim, eu peguei o ônibus e parei no final desse ônibus. Eu parei aqui no Vista Alegre. Aqui, onde eu moro agora.
Aí, quando eu cheguei há… pode falar 30 anos atrás, né? Ou menos, porque eu tinha menos idade. Aqui era muito bom, morava perto do Rio Arruda, só que na época não era o Rio Arruda, porque ele era limpo, né? Então, tinha plantações, tinha tudo, antes de modificar aqui, que agora cresceu bastante, né?
Então o Rio Arrudas era limpinho, que dava até pra gente ficar perto e tal, não era poluído nem nada. Mudou muito, tinha nascentes e tal, sabe? E agora o Cabana modificou bastante, mas ainda continua sendo um lugar bom pra morar, né? E tem umas lembranças boas, né? Que a gente lembra, né? Das coisas boas que aconteceu antes.
Dona Carmelita
O projeto de bordado foi uma experiência nova, né? Bordar uma foto é muito diferente e gratificante. E, ao mesmo tempo, há duas figuras que representam muito a cultura do Cabana, que é o Sr. José Francisco e Odete Maria. Todos os dois representam o Congado na nossa comunidade, na Grande Cabana, cada um com a sua realidade, mas uma realidade no Rosário de Maria, isso é importante.
A gente está preservando a nossa cultura, a gente está preservando o meio de mostrar para as pessoas o que é bonito, o que é lindo através das cores. Não só a realidade deles em si, de estar representando com o seu canto, com a sua dança, a gente também está valorizando a responsabilidade e também valorizar o significado deles na nossa vida, no nosso dia-a-dia, na nossa cultura, no nosso bairro, para nossas crianças, que é o mais importante, eles, a idade que têm e ainda estar fé, com a fé viva, é isso que importa.
Então, bordá-los, fazer um bordado, tentar fazer um bordado para valorizar tudo aquilo que eles representam para a gente foi muito gratificante. E agradeço muito a iniciativa do projeto. Foi muito lindo. Foi muito bom participar. Espero ter mais vezes.